{"id":21428,"date":"2026-07-24T08:48:18","date_gmt":"2026-07-24T06:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/?p=21428"},"modified":"2026-07-24T08:55:52","modified_gmt":"2026-07-24T06:55:52","slug":"mas-afinal-o-que-e-a-educacao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/pt-br\/eduforics\/educacao-inclusiva-e-de-qualidade\/educacao-desenvolvimento-sustentavel\/mas-afinal-o-que-e-a-educacao-popular\/","title":{"rendered":"Mas, afinal, o que \u00e9 a Educa\u00e7\u00e3o Popular?"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"21428\" class=\"elementor elementor-21428\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-b97a243 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b97a243\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-937093e\" data-id=\"937093e\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-efda2ba elementor-widget elementor-widget-bloque-texto\" data-id=\"efda2ba\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"bloque-texto.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<!-- Texto -->\n<section class=\"bloque bloque-texto  \">\n    <div class=\"container\">\n        <div class=\"estrecho2\">\n                        <div class=\"subtitulos\" data-aos=\"fade-left\" data-aos-duration=\"700\"><p><span>O artigo apresenta uma an\u00e1lise cr\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o popular (EP, uma pr\u00e1tica social que surge de uma demanda pol\u00edtica, como uma das possibilidades de concretizar o direito das classes populares a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Como argumenta Freire, n\u00e3o h\u00e1 pr\u00e1tica social mais pol\u00edtica do que a pr\u00e1tica educativa.<\/span><span>\u00a0<\/span><\/p><\/div>\n            \n            <div class=\"row\">\n                <div class=\"col-sm-12\">\n                    <div class=\"the_content\" data-aos=\"fade-up\" data-aos-duration=\"700\">\n                        <p><span data-contrast=\"auto\">A Educa\u00e7\u00e3o Popular (EP)<\/span> <span data-contrast=\"auto\">pode ser compreendida como um processo formativo popular, e, portanto, &#8220;um movimento de trabalho pol\u00edtico com as classes populares por meio da educa\u00e7\u00e3o&#8221; (Brand\u00e3o, 2009, p.27) que visa libertar os sujeitos de suas situa\u00e7\u00f5es-limite (Freire, 2017). Trata-se de um trabalho de alfabetiza\u00e7\u00e3o, entendido de forma ampla, relacionado \u00e0 leitura cr\u00edtica do lugar e do contexto em que os sujeitos est\u00e3o inseridos, por meio de reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre os processos de marginaliza\u00e7\u00e3o, estigmatiza\u00e7\u00e3o, invisibiliza\u00e7\u00e3o, silenciamento e exclus\u00e3o de seus mundos e suas vidas.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Esses processos opressivos, por meio dos quais alguns sujeitos submetem outros sujeitos, est\u00e3o presentes n\u00e3o s\u00f3 na dimens\u00e3o da ordem econ\u00f4mica que divide a sociedade em classes socioecon\u00f4micas, mas tamb\u00e9m na dimens\u00e3o de cunho sociocultural, em que se produz e reproduz modos e estilos de vida em disparidade de ra\u00e7a, de g\u00eanero, de etnia, e de outros elementos que constituem e identificam socialmente os sujeitos e os grupos.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A EP, enquanto movimento, esfor\u00e7o e modo decolonial de conhecimento, consolida-se de forma n\u00e3o linear na Am\u00e9rica Latina como uma demanda das classes populares. Sabemos que a constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos povos deste continente sul-americano foi marcada pelo processo de desterritorializa\u00e7\u00e3o, de marginaliza\u00e7\u00e3o e de opress\u00e3o desde a coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 os tempos atuais.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">No Brasil, tomamos a d\u00e9cada de 1960 como marco de consolida\u00e7\u00e3o da EP, sem desconsiderar os processos anteriores de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das classes trabalhadoras, especialmente aqueles desenvolvidos desde as d\u00e9cadas de 1920 e 1930, com a participa\u00e7\u00e3o de sindicatos, Ligas Camponesas e outros movimentos populares.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Nesse contexto, a EP brasileira ganha for\u00e7a como resposta \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o com o modo pelo qual a Educa\u00e7\u00e3o vinha sendo historicamente organizada no pa\u00eds. Assim, ela ganha express\u00e3o como uma rea\u00e7\u00e3o a uma educa\u00e7\u00e3o escolar ideologicamente conservadora [1]. Esse modelo corresponde ao que Paulo Freire denomina educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria: uma educa\u00e7\u00e3o vertical, transmissiva e excludente.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Como parcelas expressivas da classe trabalhadora n\u00e3o tinham acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o -entre outros motivos, pela necessidade de trabalhar para garantir a sobreviv\u00eancia-, a educa\u00e7\u00e3o para adultos surgiu para amenizar os \u00edndices de analfabetismo, com o objetivo de domesticar esses corpos para um ide\u00e1rio civilizacional.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><span data-contrast=\"auto\">Uma primeira experi\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o com as classes populares (com essa concep\u00e7\u00e3o), a que se deu sucessivamente o nome de educa\u00e7\u00e3o de base, educa\u00e7\u00e3o libertadora e, mais tarde, educa\u00e7\u00e3o popular, surgiu no Brasil no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1960, no interior de grupos e movimentos da sociedade civil, alguns deles associados a setores de governos municipais, estaduais ou da federa\u00e7\u00e3o. Surgiu como um movimento de educadores, que trouxeram, para o seu \u00e2mbito de atua\u00e7\u00e3o profissional e militante, teorias e pr\u00e1ticas do que ent\u00e3o se chamou cultura popular e se considerou como uma base simb\u00f3lico-ideol\u00f3gica de processos pol\u00edticos de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o de setores das classes populares para uma luta de classes dirigida \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da ordem social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural vigente. (Brand\u00e3o, 2009, p. 27-28).<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Ao conseguirmos entender este processo de silenciamento, de controle e de marginaliza\u00e7\u00e3o que se deu por muitos anos, percebemos que os anos de 1960 ficam marcados pelo romper do silenciamento opressivo. H\u00e1 necessidade de que os sujeitos historicamente subalternizados possam narrar suas pr\u00f3prias experi\u00eancias.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Nesse aspecto, a EP aflora em meio a movimentos sociais, de diferentes naturezas, para ir contra o processo de marginaliza\u00e7\u00e3o de sujeitos e grupos sociais e em favor dos direitos sociais, como, por exemplo, os movimentos negro, feminista, ind\u00edgena, ambientalista, dos trabalhadores, entre outros coletivos.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u00c9 nesse contexto de lutas por direitos sociais que ocorre a experi\u00eancia de alfabetiza\u00e7\u00e3o conhecida como \u201c40 horas de Angicos\u201d, desenvolvida por Paulo Freire e outros educadores com trabalhadores e trabalhadoras do munic\u00edpio de Angicos, no Rio Grande do Norte. A imagem abaixo \u00e9 <\/span><span data-contrast=\"auto\">um registro fotogr\u00e1fico da alian\u00e7a entre a EP e as reformas de base.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n                    <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n<\/section>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-02e5a80 elementor-widget elementor-widget-bloque-imagen-articulo\" data-id=\"02e5a80\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"bloque-imagen-articulo.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<!-- Texto -->\n<section class=\"bloque bloque-texto  \">\n    <div class=\"container\">\n        <div class=\"estrecho2\">\n                        <div class=\"row\">\n                <div class=\"col-sm-12\">\n                    <div class=\"the_content\" data-aos=\"fade-up\" data-aos-duration=\"700\">\n                        <figure class=\"figure imagen2 imagen-centrada\">\n                            <div class=\"image\">\n                                                                <a href=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Freire.png\" >\n                                                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Freire.png\" class=\"figure-img img-fluid\" alt=\"\">\n                                                                <\/a>\n                                \n                                                                <figcaption class=\"figure-caption\">O presidente Jo\u00e3o Goulart, no canto inferior direito, acompanhado dos governadores Miguel Arraes e Alu\u00edsio Alves. Em p\u00e9, Ant\u00f4nio Ferreira dirige-se ao presidente durante a solenidade de formatura da primeira turma da experi\u00eancia de alfabetiza\u00e7\u00e3o de Angicos, orientada por Paulo Freire. (Fonte: Memorial Virtual Paulo Freire. Dispon\u00edvel em: https:\/\/acervo.paulofreire.org\/items\/f4aacf2f-345b-4df8-a78a-26e9631c9e82). <\/figcaption>\n                                                            <\/div>\n                        <\/figure>\n                    <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n<\/section>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-369d81d elementor-widget elementor-widget-bloque-texto\" data-id=\"369d81d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"bloque-texto.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<!-- Texto -->\n<section class=\"bloque bloque-texto  \">\n    <div class=\"container\">\n        <div class=\"estrecho2\">\n            \n            <div class=\"row\">\n                <div class=\"col-sm-12\">\n                    <div class=\"the_content\" data-aos=\"fade-up\" data-aos-duration=\"700\">\n                        <p><span data-contrast=\"auto\">A perspectiva desenvolvida por Freire em Pedagogia do Oprimido dialoga com a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201ccada sujeito, assim como cada cultura produzem saberes e todos estes saberes dentro de sua diversidade epistemol\u00f3gica possuem valor, s\u00e3o parte da produ\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica e cultural individual e coletiva\u201d (Brand\u00e3o, 2008 <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">apud<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> Oliveira, 2021, p. 181).\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Dessa maneira, em quais epistemologias a EP pode se pautar? Com quais concep\u00e7\u00f5es ela rompe? O que se percebe \u00e9 que \u201cest\u00e1 em andamento um importante processo de visibiliza\u00e7\u00e3o de narrativas ocultadas, embora essas sempre tivessem existido na clandestinidade\u201d (Streck, 2012, p.191).\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de um conhecimento \u00fanico e universal, a EP compreende a pr\u00e1xis como articula\u00e7\u00e3o permanente entre reflex\u00e3o, a\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. A teoria \u00e9 produzida e reelaborada nas experi\u00eancias e pr\u00e1ticas sociais, reconhecendo a trajet\u00f3ria formativa dos sujeitos. Ao identificar o contexto de classe, como elemento interdependente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cultural\/humana dos sujeitos em suas carreiras de vida, compreende-se a coletividade como uma condi\u00e7\u00e3o humana que traz concep\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria de humano [2], assim como a dialogicidade, que compreende o conflito como um princ\u00edpio formador.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cO di\u00e1logo, que implica um pensar cr\u00edtico\u201d (FREIRE, 2017, p. 115) vai contra a concep\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria que busca adaptar o ser humano \u00e0 realidade existente, limitando o desenvolvimento de uma consci\u00eancia cr\u00edtica sobre si, sobre sua exist\u00eancia e sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais. A educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria tende a negar a singularidade e a subjetividade dos sujeitos sociais. Ao negar sua capacidade de cria\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o, busca formar sujeitos reprodutores de uma \u00fanica vis\u00e3o de mundo e de cultura, subordinados a uma compreens\u00e3o fatalista e determinista da hist\u00f3ria.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Este referencial te\u00f3rico-metodol\u00f3gico freiriano, que parte das experi\u00eancias de trabalho, revela condi\u00e7\u00f5es culturais e estruturais na inten\u00e7\u00e3o de refletir criticamente, na perspectiva de quem as vivencia, sobre os conhecimentos da pr\u00f3pria experi\u00eancia social. A busca pelo sentido da exist\u00eancia humana e das suas hist\u00f3rias, isto \u00e9, dos seus relatos de vida e da narra\u00e7\u00e3o dos acontecimentos e situa\u00e7\u00f5es, encontra\u2013se em uma est\u00e9tica c\u00edclica, e n\u00e3o linear.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u00c9 esta circularidade que traz a base processual da EP no seu sentido pol\u00edtico e \u00e9tico. Ela tamb\u00e9m est\u00e1 presente no referencial de intersubjetiva\u00e7\u00e3o da filosofia africana, fundamentada em arcabou\u00e7o te\u00f3rico metodol\u00f3gico decolonial, ou seja, que visa veicular o conhecimento africano pela cultura africana.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><span data-contrast=\"auto\">Ou seja, cultura aqui n\u00e3o \u00e9 entendida a partir de bases antropol\u00f3gicas positivistas como l\u00edngua, religi\u00e3o, h\u00e1bitos e costumes, contos, prov\u00e9rbios, dan\u00e7as, etc. [&#8230;] Esta defini\u00e7\u00e3o seria restrita demais para os nossos prop\u00f3sitos. Pelo contr\u00e1rio, cultura \u00e9 entendida aqui como a segunda natureza humana, isto \u00e9, o processo de cria\u00e7\u00e3o de formas de conhecimento, das t\u00e9cnicas e de forma\u00e7\u00e3o de habilidades que visam garantir que o ser humano possa viver, procriar-se e educar aos seus sucessores, enquanto seres humanos. Entendida desta maneira, a cultura \u00e9 a experi\u00eancia cr\u00edtica que o homem faz com a Natureza circundante e com os outros seres humanos e sociedades. (Castiano, 2010, p. 220-221).<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p><span data-contrast=\"auto\">De modo semelhante, a concep\u00e7\u00e3o de EP, nesse sentido, traz uma no\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o que pretende valorizar os saberes e as culturas populares, ordin\u00e1rias, presentes no cotidiano dos sujeitos envolvidos nos processos formativos e educativos. Por apresentar um car\u00e1ter humanizador, problematizador e revolucion\u00e1rio, a EP emerge como contraponto das pol\u00edticas neoliberais da educa\u00e7\u00e3o, porque contribui para uma forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e conscientizadora dos sujeitos em suas realidades sociais, a fim de favorecer o questionamento do <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">status quo<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> e a constru\u00e7\u00e3o de formas coletivas de transforma\u00e7\u00e3o da realidade.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Diante dessas reflex\u00f5es, reafirmamos, portanto, a &#8220;concep\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Popular como construtora de uma cultura rebelde, que transcende o tempo e o espa\u00e7o, portanto o ontem e o agora&#8221; (Brand\u00e3o, 2009, p.9).\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Nesta perspectiva decolonial, que visa romper com as estruturas de uma cultura positivista e hierarquizante, podemos compreender a EP, enquanto uma pr\u00e1tica social que emerge de uma demanda pol\u00edtica, como uma das possibilidades de efetiva\u00e7\u00e3o do direito das classes populares a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, pois sua concep\u00e7\u00e3o contra-hegem\u00f4nica de forma\u00e7\u00e3o humana\/educa\u00e7\u00e3o facilita a constru\u00e7\u00e3o de outros fundamentos \u00e9ticos e pol\u00edticos em pr\u00e1ticas educativas humanizadoras.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right\"><b><i><span data-contrast=\"auto\">Juliana Gon\u00e7alves M. Rezende<\/span><\/i><\/b><i><span data-contrast=\"auto\">. Professora Licenciada em Geografia, mestra em Educa\u00e7\u00e3o. Coordena o N\u00facleo de Pesquisas e Estudos em Curr\u00edculo (NUPEC) na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFF e tamb\u00e9m na Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores do Ecoturismo de Base Comunit\u00e1ria do Munic\u00edpio de Cachoeiras de Macacu\/RJ (ATECOBAC), onde reside e pesquisa os coletivos e movimentos sociais que ajuda compor seu projeto de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental &#8220;Na Trilha dos Saberes&#8221;. <\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:3,&quot;335551620&quot;:3,&quot;335559731&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><strong>Notas\u00a0<\/strong><\/h2>\n<ol>\n<li data-leveltext=\"%1.\" data-font=\"Times New Roman\" data-listid=\"2\" data-list-defn-props=\"{&quot;335551671&quot;:1,&quot;335552541&quot;:0,&quot;335559683&quot;:0,&quot;335559684&quot;:-1,&quot;335559685&quot;:1069,&quot;335559991&quot;:360,&quot;469769242&quot;:[65533,0,46],&quot;469777803&quot;:&quot;left&quot;,&quot;469777804&quot;:&quot;%1.&quot;,&quot;469777815&quot;:&quot;hybridMultilevel&quot;}\" data-aria-posinset=\"1\" data-aria-level=\"1\"><span data-contrast=\"none\">\u201cEm alguns percursos hist\u00f3ricos, a efetiva\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o era atrelada \u00e0 perspectiva de dom\u00ednio social de alguns sujeitos em detrimento de outros, a qual apenas uma pequena parcela da sociedade tinha direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Esta afirma\u00e7\u00e3o caracteriza de forma geral a perspectiva de educa\u00e7\u00e3o tradicional, a qual visava logo de in\u00edcio a educa\u00e7\u00e3o de uma minoria constitu\u00edda pela burguesia, somente esta, unicamente poderia ter o dom\u00ednio e acesso ao conhecimento.\u201d (Almeida, Bezerra e Fausto, 2023, p. 74).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335572071&quot;:0,&quot;335572072&quot;:0,&quot;335572073&quot;:4278190080,&quot;335572075&quot;:0,&quot;335572076&quot;:0,&quot;335572077&quot;:4278190080,&quot;335572079&quot;:0,&quot;335572080&quot;:0,&quot;335572081&quot;:4278190080,&quot;335572083&quot;:0,&quot;335572084&quot;:0,&quot;335572085&quot;:4278190080,&quot;335572087&quot;:0,&quot;335572088&quot;:0,&quot;335572089&quot;:4278190080,&quot;469789798&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789802&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789806&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789810&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789814&quot;:&quot;nil&quot;}\">\u00a0<\/span><\/li>\n<li data-leveltext=\"%1.\" data-font=\"Times New Roman\" data-listid=\"2\" data-list-defn-props=\"{&quot;335551671&quot;:1,&quot;335552541&quot;:0,&quot;335559683&quot;:0,&quot;335559684&quot;:-1,&quot;335559685&quot;:1069,&quot;335559991&quot;:360,&quot;469769242&quot;:[65533,0,46],&quot;469777803&quot;:&quot;left&quot;,&quot;469777804&quot;:&quot;%1.&quot;,&quot;469777815&quot;:&quot;hybridMultilevel&quot;}\" data-aria-posinset=\"1\" data-aria-level=\"1\"><span data-contrast=\"auto\">Nesse racioc\u00ednio<\/span> <span data-contrast=\"auto\">o ser humano n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o individual, um produto acabado, uma mercadoria ou um objeto de estudo definido, mas sim uma condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, complexa e pol\u00edtica a ser relativizada pela forma do seu compartilhamento com outros seres humanos e n\u00e3o-humanos.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;335559685&quot;:1069}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Refer\u00eancias<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559731&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<ul>\n<li><span data-contrast=\"auto\">ALMEIDA, R. S. BEZERRA, E. R. FAUSTO, F. dos S. A educa\u00e7\u00e3o popular como contraponto das pol\u00edticas neoliberais para a educa\u00e7\u00e3o. <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Aurora: revista de arte, m\u00eddia e pol\u00edtica<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, S\u00e3o Paulo, v.16, n.46, p:68-93, janeiro-abril, 2023.\u00a0<\/span><\/li>\n<li>BRAND\u00c3O, C. R. <i><span data-contrast=\"auto\">Cultura rebelde: escritos sobre a educa\u00e7\u00e3o popular ontem e agora<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. S\u00e3o Paulo: Editora e livraria Instituto Paulo Freire, 2009.\u00a0<\/span><\/li>\n<li>CASTIANO, Jos\u00e9 P. Referenciais de intersubjetiva\u00e7\u00e3o. In: <i><span data-contrast=\"auto\">Referenciais da filosofia africana: em busca da intersubjetiva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> Maputo: Grupo Leya, 2010, p. 187-248.\u00a0<\/span><\/li>\n<li>FREIRE, Paulo. A dialogicidade &#8211; ess\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica da liberdade. In: <i><span data-contrast=\"auto\">Pedagogia do Oprimido<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2017, p. 107-166.\u00a02017.<\/span><\/li>\n<li>OLIVEIRA, Carolina A. G. de. Educadoras ambientais comunit\u00e1rias e o projeto da ONG \u00c1gua Doce. In: <i><span data-contrast=\"auto\">Das mar\u00e9s e marias dos fundos da Ba\u00eda de Guanabara: experi\u00eancias de educadoras ambientais comunit\u00e1rias na constru\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a e da dignidade.<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> Rio de Janeiro, 2021. Cap. 4, p. 142-197.\u00a0<\/span><\/li>\n<li>STRECK, D. R. Territ\u00f3rios de resist\u00eancia e criatividade: reflex\u00f5es sobre os lugares da educa\u00e7\u00e3o popular. <i><span data-contrast=\"auto\">Revista Curr\u00edculo sem Fronteiras<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, v.12, n.1, pp.185-198, janeiro-abril, 2012.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559731&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ul>\n                    <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n<\/section>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3456d2d elementor-widget elementor-widget-bloque-blog-2\" data-id=\"3456d2d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"bloque-blog-2.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\n\n<!-- Bloque Blog -->\n<div class=\"container\">\n    <div class=\"row titulo-con-enlace\">\n        <div class=\"col-12\">\n            <h2 class=\"titulos\" data-aos=\"fade-left\" data-aos-duration=\"700\">Postagens relacionadas<\/h2>                        <a href=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/eduforics\/\" data-aos=\"fade-right\" data-aos-duration=\"700\" class=\"enlace btn-arrow\" title=\"Ver mais\"><span>Ver mais<\/span><\/a>\n                    <\/div>\n    <\/div>\n<\/div>\n<section class=\"bloque bloque-blog bloquelphkbtxaxb  diseno-eduforics \">\n    <div class=\"container\">\n        <div class=\"background  \">\n            <div class=\"estrecho\">\n                <div class=\"row ultimas\">\n                                                            <div class=\"col-12 col-sm-6 d-flex align-items-stretch\" data-aos=\"fade-up\" data-aos-delay=\"200\" data-aos-duration=\"700\">\n                                    <a class=\"noticia \" href=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/pt-br\/eduforics\/educacao-inclusiva-e-de-qualidade\/educacao-desenvolvimento-sustentavel\/mas-afinal-o-que-e-a-educacao-popular\/\">\n    <div class=\"image\">\n        <img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"890\" height=\"560\" src=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868-890x560.png\" class=\"img-fluid wp-post-image\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868-890x560.png 890w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868-300x189.png 300w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868-1024x644.png 1024w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868-768x483.png 768w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868-1056x664.png 1056w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Amazonia-2170697868.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/>    <\/div>\n    <div class=\"datos\">\n        <div class=\"categoria\">Educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/div>\n        <h3 class=\"subtitulos\">Mas, afinal, o que \u00e9 a Educa\u00e7\u00e3o Popular?<\/h3>\n                <div class=\"autor\">Por <em>Juliana Gon\u00e7alves M. Rezende<\/em><\/div>\n            <\/div>\n<\/a>                                    <\/div>\n                                                                    <div class=\"col-12 col-sm-6 d-flex align-items-stretch\" data-aos=\"fade-up\" data-aos-delay=\"500\" data-aos-duration=\"700\">\n                                    <a class=\"noticia \" href=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/pt-br\/eduforics\/reimaginar-juntos-os-futuros\/chaves-para-reflexao\/quando-uma-pergunta-muda-a-aula-reflexoes-sobre-ensinar-pesquisar-e-aprender-na-escola\/\">\n    <div class=\"image\">\n        <img decoding=\"async\" width=\"890\" height=\"560\" src=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572-890x560.png\" class=\"img-fluid wp-post-image\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572-890x560.png 890w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572-300x189.png 300w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572-1024x644.png 1024w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572-768x483.png 768w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572-1056x664.png 1056w, https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2026\/07\/Cocos-1407981572.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/>    <\/div>\n    <div class=\"datos\">\n        <div class=\"categoria\">Chaves para reflex\u00e3o<\/div>\n        <h3 class=\"subtitulos\">Quando uma pergunta muda a aula: reflex\u00f5es sobre ensinar, pesquisar e aprender na escola\u00a0<\/h3>\n                <div class=\"autor\">Por <em>Maria Valcirene Oliveira Braga<\/em><\/div>\n            <\/div>\n<\/a>                                    <\/div>\n                                                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n<\/section>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo apresenta uma an\u00e1lise cr\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o popular (EP, uma pr\u00e1tica social que surge de uma demanda pol\u00edtica, como uma das possibilidades de concretizar o direito das classes populares a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade. 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