{"id":22175,"date":"2026-10-20T11:31:23","date_gmt":"2026-10-20T09:31:23","guid":{"rendered":"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/?p=22175"},"modified":"2026-10-26T18:58:30","modified_gmt":"2026-10-26T17:58:30","slug":"educacao-para-as-relacoes-etnico-raciais-reimaginar-futuros-a-partir-da-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oes.fundacion-sm.org\/pt-br\/eduforics\/experiencias-e-recursos-pt-br\/boas-praticas\/educacao-para-as-relacoes-etnico-raciais-reimaginar-futuros-a-partir-da-escola\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais: reimaginar futuros a partir da escola"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"22175\" class=\"elementor elementor-22175\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-43b7d51 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"43b7d51\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-16dc8fd\" data-id=\"16dc8fd\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e843071 elementor-widget elementor-widget-bloque-texto\" data-id=\"e843071\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"bloque-texto.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<!-- Texto -->\n<section class=\"bloque bloque-texto  \">\n    <div class=\"container\">\n        <div class=\"estrecho2\">\n                        <div class=\"subtitulos\" data-aos=\"fade-left\" data-aos-duration=\"700\"><p>A Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais \u00e9 um desafio necess\u00e1rio para reimaginar os futuros da educa\u00e7\u00e3o. No dia 05 de agosto de 2026, no webinar promovido pela Funda\u00e7\u00e3o SM, Alcielle dos Santos e Joyce Machado refletiram sobre racismo, curr\u00edculo, representatividade, forma\u00e7\u00e3o docente, territ\u00f3rio e inclus\u00e3o, destacando o papel da escola na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, plural e democr\u00e1tica. O texto sintetiza as principais discuss\u00f5es que foram abordadas nesse di\u00e1logo das educadoras a partir do que o Relat\u00f3rio da Unesco <em>Reimaginar nossos futuros juntos<\/em> trata sobre o tema.<\/p><\/div>\n            \n            <div class=\"row\">\n                <div class=\"col-sm-12\">\n                    <div class=\"the_content\" data-aos=\"fade-up\" data-aos-duration=\"700\">\n                        <h2><strong>Um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Que educa\u00e7\u00e3o queremos construir para o futuro? E que sociedade queremos ajudar a construir por meio dela?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Ao refletir sobre o relat\u00f3rio da UNESCO, Alcielle chamou aten\u00e7\u00e3o dos participantes para a necessidade de compreender a educa\u00e7\u00e3o como parte de um novo contrato social, baseado no princ\u00edpio da solidariedade, na equidade e na responsabilidade compartilhada. Essa perspectiva implica reconhecer que a escola n\u00e3o est\u00e1 separada da sociedade. Logo, quest\u00f5es relacionadas \u00e0s desigualdades raciais, sociais, econ\u00f4micas e territoriais chegam diariamente \u00e0s salas de aula e influenciam as aprendizagens, a perman\u00eancia e o desenvolvimento dos estudantes. Por isso, n\u00e3o basta perguntar quem est\u00e1 na escola: \u00e8 preciso perguntar <strong>que escola estamos construindo, quais refer\u00eancias ela apresenta e quais sujeitos ela reconhece.<\/strong><\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>\u201cTransformar a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que se faz sozinho. A gente precisa fazer juntos.\u201d <\/strong><em style=\"font-family: inherit;font-size: inherit\">Alcielle dos Santos<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p>A ideia dialoga com o pr\u00f3prio t\u00edtulo do relat\u00f3rio: reimaginar nossos futuros juntos.<\/p>\n<p>Para Alcielle, essa perspectiva tamb\u00e9m se relaciona com as reflex\u00f5es de Edgar Morin e de Ailton Krenak sobre a necessidade de n\u00e3o ficarmos presos \u00e0s certezas do presente e de manter aberta a possibilidade de olhar para o futuro. Viver o presente olhando para o futuro \u00e9, nesse sentido, um exerc\u00edcio de reimagina\u00e7\u00e3o. \u00c9 neste horizonte que Alcielle situa a <strong>Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais.<\/strong><\/p>\n<h2><strong>Enfrentar desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n<p>Entre os primeiros pontos destacados por Alcielle no documento da UNESCO est\u00e1 o <strong>enfrentamento das desigualdades e das discrimina\u00e7\u00f5es<\/strong>. Sua reflex\u00e3o parte da constata\u00e7\u00e3o de que o mundo est\u00e1 dividido entre pessoas que podem consumir e pessoas que servem quem consome. Para ela, essa desigualdade tamb\u00e9m atravessa a educa\u00e7\u00e3o: h\u00e1 fam\u00edlias que conseguem escolher a escola para seus filhos considerando diferentes fatores, enquanto outras ainda n\u00e3o conseguem acessar uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade ou s\u00e3o levadas a abandonar a escola pelas condi\u00e7\u00f5es sociais que enfrentam.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre desigualdade leva Alcielle \u00e0 hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o, da escraviza\u00e7\u00e3o e da institucionaliza\u00e7\u00e3o do racismo. Por isso, enfrentar o racismo exige tamb\u00e9m enfrentar as formas pelas quais determinados conhecimentos e sujeitos foram invisibilizados. Ela chama aten\u00e7\u00e3o para o apagamento das pessoas negras como produtoras de conhecimento e para a necessidade de reconhecer como determinados saberes foram historicamente invisibilizados.<\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>\u201cO que n\u00f3s vivenciamos em rela\u00e7\u00e3o ao racismo n\u00e3o pode passar sem ser sentido. E se \u00e9 sentido, a gente precisa agir.\u201d <\/strong><em style=\"font-family: inherit;font-size: inherit\">Alcielle dos Santos<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o aparece, ent\u00e3o, como espa\u00e7o de sensibiliza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o. Essa reflex\u00e3o aproxima-se de Paulo Freire na perspectiva de uma educa\u00e7\u00e3o que parte da realidade, problematiza o mundo e contribui para que os sujeitos possam atuar sobre ele.<\/p>\n<p>A partir dessa perspectiva, Alcielle nos provoca: <strong>como construir uma educa\u00e7\u00e3o que contribua para uma sociedade inclusiva, equitativa e socialmente justa?<\/strong> Para ela, essa sociedade precisa ser um sonho de todas as pessoas. Durante muito tempo, entretanto, a educa\u00e7\u00e3o esteve associada a sonhos individualistas: conseguir um bom emprego, ganhar bem, ter sucesso e construir uma vida para si. Reimaginar a educa\u00e7\u00e3o implica deslocar essa l\u00f3gica. O sonho precisa deixar de ser apenas individual para incorporar uma dimens\u00e3o coletiva: uma pessoa s\u00f3 pode estar plenamente bem quando sua comunidade tamb\u00e9m est\u00e1 bem.<\/p>\n<h2><strong>Uma mudan\u00e7a cultural<\/strong><\/h2>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o proposta por Alcielle \u00e9, portanto, tamb\u00e9m uma <strong>mudan\u00e7a cultural<\/strong>. Ela utiliza diferentes situa\u00e7\u00f5es do cotidiano para mostrar como a sociedade constr\u00f3i distin\u00e7\u00f5es, desejos, bolhas e formas de separa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o, nesse contexto, precisa contribuir para construir mais pontes do que muros. Essa mudan\u00e7a cultural passa pela escola, mas n\u00e3o se limita a ela. Passa tamb\u00e9m pela representatividade, pela cultura, pela arte, pelas redes sociais e pelos diferentes espa\u00e7os em que crian\u00e7as, jovens e adultos constroem suas refer\u00eancias. Nesse aspecto Alcielle chama aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de ocupar tamb\u00e9m as redes sociais com conte\u00fados que estimulem igualdade, equidade, colabora\u00e7\u00e3o e solidariedade.<\/p>\n<p>Nesse ponto de an\u00e1lise, Alcielle reflete sobre a necessidade de pensar <strong>a escola para al\u00e9m da escola:<\/strong><\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>\u201cA gente precisa pensar a escola para al\u00e9m da escola. E pensar a escola para al\u00e9m da escola precisa incluir a comunidade, precisa incluir o territ\u00f3rio.\u201d <\/strong><em style=\"font-family: inherit;font-size: inherit\">Alcielle dos Santos<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p>Reconhece, portanto, que a escola n\u00e3o consegue realizar sozinha a transforma\u00e7\u00e3o social e por isso \u00e9 importante considerar <strong>a <\/strong><strong>fam\u00edlia e o mundo do trabalho<\/strong>. A fam\u00edlia \u00e9 um dos primeiros espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o. O mundo do trabalho, por sua vez, tamb\u00e9m precisa se ocupar da diversidade, da equidade e da justi\u00e7a social. A escola est\u00e1 entre esses diferentes espa\u00e7os e ela precisa dialogar com a totalidade social concreta, permanecendo atenta sobretudo \u00e0s caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas da comunidade onde a escola est\u00e1 inserida. N\u00e3o existe uma educa\u00e7\u00e3o antirracista descolada das experi\u00eancias concretas dos estudantes e dos seus meios de conviv\u00eancia. E sabemos que o territ\u00f3rio tamb\u00e9m educa. As comunidades, as fam\u00edlias, as manifesta\u00e7\u00f5es culturais, as mem\u00f3rias, os modos de viver e os saberes tradicionais s\u00e3o fontes de conhecimento que podem entrar na escola e ampliar o repert\u00f3rio de crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<h2><strong>Curr\u00edculo, BNCC e a escolha do que entra na escola<\/strong><\/h2>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao curr\u00edculo, Alcielle reconhece que o Brasil j\u00e1 possui marcos legais importantes para a Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, al\u00e9m de pol\u00edticas educacionais que abrem espa\u00e7o para a diversidade, a cultura, a cidadania e o desenvolvimento humano. Por\u00e9m, a exist\u00eancia de leis n\u00e3o garante, por si s\u00f3, uma mudan\u00e7a cultural. \u00c9 necess\u00e1rio transformar os conhecimentos e as refer\u00eancias que chegam \u00e0s salas de aula. Nesse sentido, s\u00e3o destacados autores, artistas, escritores, m\u00fasicas e diferentes express\u00f5es culturais negras que podem fazer parte desse processo. Compreendendo, por\u00e9m, uma quest\u00e3o central: <strong>Quem fazemos entrar na escola? E, sobretudo, quem faz essa escolha?<\/strong><\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>Quem faz curadoria de curr\u00edculo na escola \u00e9 o professor. A gente tem toda a porta aberta para come\u00e7ar esse trabalho. Os curadores somos n\u00f3s. <\/strong><em style=\"font-family: inherit;font-size: inherit\">Alcielle dos Santos<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p><strong>Essa<\/strong> afirma\u00e7\u00e3o da Alcielle coloca o professor em um lugar de responsabilidade, mas tamb\u00e9m de possibilidades. O livro did\u00e1tico pode continuar presente, mas pode dialogar com outras refer\u00eancias. Uma aula pode come\u00e7ar com um texto e incorporar uma m\u00fasica, uma imagem, uma obra de arte, uma autora ou um autor que amplie a perspectiva apresentada. A curadoria passa, assim, a ser uma a\u00e7\u00e3o intencional.<\/p>\n<p>Para Alcielle, uma educa\u00e7\u00e3o antirracista tamb\u00e9m passa pela possibilidade de que as crian\u00e7as cres\u00e7am reconhecendo a beleza humana convivendo com diferentes refer\u00eancias. A assessora defende uma educa\u00e7\u00e3o em que a crian\u00e7a tenha contato com um repert\u00f3rio liter\u00e1rio, musical e cultural diverso, de maneira que a diversidade \u00e9tnico-racial n\u00e3o seja uma exce\u00e7\u00e3o, mas parte do cotidiano. Nesse sentido, a representatividade n\u00e3o \u00e9 apenas uma imagem colocada em um material did\u00e1tico. \u00c9 tamb\u00e9m uma <strong>experi\u00eancia de conviv\u00eancia e reconhecimento<\/strong>. A crian\u00e7a precisa encontrar pessoas negras produzindo conhecimento, literatura, arte, ci\u00eancia e cultura e ocupando diferentes profiss\u00f5es e espa\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, a dimens\u00e3o curricular est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos educadores. Alcielle destaca a forma\u00e7\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a implementa\u00e7\u00e3o efetiva das pol\u00edticas p\u00fablicas. N\u00e3o basta possuir legisla\u00e7\u00e3o, diretrizes e curr\u00edculos se n\u00e3o houver educadores preparados para transformar esses documentos em pr\u00e1ticas. A forma\u00e7\u00e3o continuada precisa, portanto, ser assumida como uma pol\u00edtica educacional pelas institui\u00e7\u00f5es. E isso envolve tamb\u00e9m pensar a presen\u00e7a de profissionais negros nos espa\u00e7os educativos. A pergunta feita por Alcielle \u00e9 direta:<\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>Como construir um curr\u00edculo diverso em uma escola que permanece composta majoritariamente por profissionais n\u00e3o negros, em um pa\u00eds de maioria negra?\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p><strong>Nesse sentido, <\/strong>a BNCC tamb\u00e9m precisa ser objeto de reflex\u00e3o, tendo como pressuposto que essa discuss\u00e3o sobre curr\u00edculo conduz, na etapa final do di\u00e1logo, a uma pergunta sobre a pr\u00f3pria <strong>Base. <\/strong>Alcielle reconhece a import\u00e2ncia do documento e dos espa\u00e7os que ele oferece para trabalhar a Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, mas tamb\u00e9m aponta que h\u00e1 espa\u00e7o para avan\u00e7ar e pensar uma revis\u00e3o do documento nessa perspectiva. A quest\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 simplesmente abandonar a BNCC, mas <strong>coloc\u00e1-la em di\u00e1logo com os desafios da sociedade e com a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Joyce concorda com essa provoca\u00e7\u00e3o e amplia a reflex\u00e3o ao questionar a centralidade que, muitas vezes, \u00e9 atribu\u00edda ao documento.<\/p>\n<p>Contudo, o documento pode ser utilizado como <strong>ponto de partida para repensar pr\u00e1ticas, leis e caminhos educativos<\/strong>, considerando a sociedade que existe hoje, sua hist\u00f3ria e as marcas que permanecem presentes. Essa reflex\u00e3o retoma uma das ideias centrais apresentadas por Alcielle: <strong>\u201cOs curadores somos n\u00f3s\u201d.<\/strong> Se os documentos orientadores s\u00e3o refer\u00eancias importantes, eles n\u00e3o eliminam a responsabilidade dos educadores de fazer escolhas, contextualizar conte\u00fados e ampliar os repert\u00f3rios oferecidos aos estudantes.<\/p>\n<p>Portanto, para uma Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, essa perspectiva \u00e9 especialmente importante. Mais do que perguntar apenas o que est\u00e1 previsto nos documentos, \u00e9 necess\u00e1rio perguntar <strong>o que efetivamente chega \u00e0 sala de aula, quem aparece como produtor de conhecimento, quais hist\u00f3rias s\u00e3o contadas e quais refer\u00eancias ainda precisam ocupar espa\u00e7o na escola<\/strong>. Assim, curr\u00edculo, BNCC e forma\u00e7\u00e3o docente aparecem como dimens\u00f5es insepar\u00e1veis de uma mesma quest\u00e3o<strong>: <\/strong><strong>que educa\u00e7\u00e3o queremos construir e quais sujeitos, conhecimentos e experi\u00eancias queremos reconhecer como parte dela?<\/strong><\/p>\n<h2><strong>A escola \u00e9 territ\u00f3rio de muitos<\/strong><\/h2>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>\u201cQuando a gente vai falar sobre educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, precisa ser uma roda pelo princ\u00edpio da circularidade.\u201d <\/strong><em style=\"font-family: inherit;font-size: inherit\">Joyce Machado<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p>A partir de sua experi\u00eancia como professora, pedagoga e gestora de uma escola p\u00fablica, Joyce amplia a discuss\u00e3o sobre territ\u00f3rio. Para ela, a gest\u00e3o escolar tamb\u00e9m precisa compreender a escola como espa\u00e7o formativo e como <strong>territ\u00f3rio cultural<\/strong>. Sinalizando que <strong>\u201ca escola \u00e9 territ\u00f3rio de muitos\u201d<\/strong><strong>.<\/strong> Essa reflex\u00e3o leva a compreendermos que a escola \u00e9 feita de diferentes hist\u00f3rias, identidades, culturas, experi\u00eancias e modos de compreender o mundo.<\/p>\n<p>Para Joyce, falar de rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais exige pensar em roda, como princ\u00edpio de circularidade, de escuta e de participa\u00e7\u00e3o. <strong>Nesse sentido, <\/strong>o sentido da roda e da circularidade, neste caso, n\u00e3o \u00e9 apenas uma imagem. Trata-se de uma forma de organizar as rela\u00e7\u00f5es: ningu\u00e9m est\u00e1 permanentemente no centro, todas as pessoas podem falar, todas precisam escutar e o conhecimento \u00e9 constru\u00eddo na rela\u00e7\u00e3o. Essa ideia levou Joyce a outra provoca\u00e7\u00e3o importante: n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar tudo novamente. Existem conhecimentos, experi\u00eancias, movimentos e pessoas que h\u00e1 muito tempo constroem caminhos para uma educa\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1tica e antirracista.<\/p>\n<div class=\"table-responsive\"><div class=\"table-responsive\"><table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<ul>\n<li><strong>\u201cA gente n\u00e3o precisa reinventar a roda, a gente precisa ouvir, estar dentro da roda e abri-la para poder dinamizar esses di\u00e1logos.\u201d <\/strong><em style=\"font-family: inherit;font-size: inherit\">Joyce Machado<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><\/div><\/div>\n<p>Entrar na roda significa reconhecer conhecimentos historicamente produzidos por intelectuais, movimentos sociais, comunidades negras e ind\u00edgenas e tantos outros sujeitos que foram, muitas vezes, colocados \u00e0 margem dos espa\u00e7os tradicionais de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. Assim, reimaginar os futuros significa <strong>recuperar conhecimentos que j\u00e1 existem e reconhecer sua legitimidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Na dimens\u00e3o formativa docente, Joyce acrescenta uma importante reflex\u00e3o sobre <strong>a identidade do pr\u00f3prio educador<\/strong>. Ela pergunta quem s\u00e3o os sujeitos que est\u00e3o formando outros sujeitos e quais refer\u00eancias est\u00e3o presentes em sua forma\u00e7\u00e3o. <strong>\u201cComo esse professor se identifica? N\u00e3o com quem ele se identifica, mas como ele se identifica enquanto sujeito?\u201d<\/strong><strong>. <\/strong><strong>Essa reflex\u00e3o <\/strong>nos leva a pensar nas escolhas feitas na escola: os materiais, as literaturas, os fil\u00f3sofos, as artes, os mapas e as narrativas hist\u00f3ricas. Compreendemos que formar um educador tamb\u00e9m significa ajud\u00e1-lo a compreender o lugar de onde olha e as escolhas que realiza.<\/p>\n<p>Joyce reconhece que a escola pode ser um dos espa\u00e7os mais importantes para abrir discuss\u00f5es sobre identidade, racismo, cultura e diversidade, mas sua atua\u00e7\u00e3o precisa ultrapassar os muros e suscitar perguntas: <strong>O que a sala de aula comunica?<\/strong> O que o curr\u00edculo comunica? O que a did\u00e1tica comunica? Que identidades aparecem? Que possibilidades s\u00e3o apresentadas? Essas perguntas exigem que educadores e gestores estejam dispostos a repensar pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o e ao projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, Joyce refor\u00e7a a necessidade da escola expressar aquilo que a comunidade pensa e deseja para aquele espa\u00e7o: <strong>\u201cN\u00e3o se faz uma educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais sem o coletivo. N\u00e3o se faz uma educa\u00e7\u00e3o que seja para todos, sem que todos estejam envolvidos.\u201d <\/strong><strong>Esse reconhecimento nos permite pensar que <\/strong>a Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es <strong>\u00c9<\/strong>tnico-Raciais n\u00e3o \u00e9 responsabilidade exclusiva do professor em sala de aula, mas uma constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o envolve as diferentes dimens\u00f5es que atravessam os sujeitos: ra\u00e7a, condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, aspectos f\u00edsicos, fisiol\u00f3gicos e outras diferen\u00e7as. Nesse sentido, a educa\u00e7\u00e3o precisa deixar de tratar essas dimens\u00f5es separadamente e avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a uma educa\u00e7\u00e3o de equidade e qualidade.<\/p>\n<h2><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h2>\n<p><strong>O Relat\u00f3rio oferece fundamentos importantes para pensar a Educa\u00e7\u00e3o e as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, ao reconhecer que a constru\u00e7\u00e3o dos futuros da educa\u00e7\u00e3o passa pelo enfrentamento das discrimina\u00e7\u00f5es, incluindo as discrimina\u00e7\u00f5es raciais, pela valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade cultural, pela inclus\u00e3o e pela transforma\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos e das institui\u00e7\u00f5es educativas<\/strong> (UNESCO, 2022, p. 48, 55 e 65). Esses fundamentos dialogam diretamente com o debate realizado pelas palestrantes Alcielle e Joyce, ao evidenciarem que a Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais n\u00e3o pode ser tratada como um tema complementar, ou como uma atividade pontual no calend\u00e1rio escolar. Ela envolve o modo como compreendemos a educa\u00e7\u00e3o, o conhecimento, o curr\u00edculo, a cultura, o territ\u00f3rio, a forma\u00e7\u00e3o docente, a inclus\u00e3o e os futuros que queremos construir. As duas falas se encontram num ponto essencial: <strong>a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se transforma de forma isolada; \u00e9 preciso constru\u00ed-la coletivamente.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>Sobre as participantes<\/strong><\/h2>\n<ul>\n<li><strong>Alcielle dos Santos<\/strong>. Pedagoga, Doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela PUC\/SP. Diretora de Educa\u00e7\u00e3o do Instituto Iungo. Conselheira do CDESS &#8211; Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Social Sustent\u00e1vel da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Atua na Baixada Santista e em \u00e2mbito nacional em Educa\u00e7\u00e3o e Economia Solid\u00e1ria, integrando o F\u00f3rum de Economia Solid\u00e1ria da Baixada Santista, o Instituto Paul Singer e a Cooperativa de Professores Cip\u00f3 Educa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Joyce Machado<\/strong>. Pedagoga, Mestra em Educa\u00e7\u00e3o pela UFF. Gestora de uma escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Munic\u00edpio de Maca\u00e9. Foi coordenadora do NEAFRO (N\u00facleo de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais), da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Maca\u00e9, no ano de 2024, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de gestores e professores e estudantes da Rede para uma Educa\u00e7\u00e3o Antirracista.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n<ul>\n<li>UNESCO (2022). Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o. Funda\u00e7\u00e3o SM. Dispon\u00edvel neste link: <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000381115\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000381115<\/a>. \u00a0<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/redgesm-my.sharepoint.com\/:v:\/r\/personal\/carla_domingos_fundacion-sm_com\/Documents\/FUNDA%C3%87%C3%83O%20SM_Geral\/Not%C3%ADcias\/Webinar%20A%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20para%20as%20Rela%C3%A7%C3%B5es%20%C3%89tnico-Raciais%20como%20desafio%20necess%C3%A1rio%20para%20reimaginar%20nossos%20futuros-20260805_223034UTC-Meeting%20Recording.mp4?d=we525e369951f48899114701dd77f99a5&amp;csf=1&amp;web=1&amp;e=o4xG5E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Webinar A Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais como desafio necess\u00e1rio para reimaginar nossos futuros-20260805_223034UTC-Meeting Recording.mp4<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n                    <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    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No dia 05 de agosto de 2026, no webinar promovido pela Funda\u00e7\u00e3o SM, Alcielle dos Santos e Joyce Machado refletiram sobre racismo, curr\u00edculo, representatividade, forma\u00e7\u00e3o docente, territ\u00f3rio e inclus\u00e3o, destacando o papel da escola na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":22176,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[62,36],"tags":[],"class_list":["post-22175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boas-praticas","category-eduforics"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais: reimaginar futuros a partir da escola - Eduforics - Observat\u00f3rio da escola na Ibero-Am\u00e9rica (OES)<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais \u00e9 um desafio necess\u00e1rio para reimaginar os futuros da educa\u00e7\u00e3o. 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