Entre a Amazônia, a educação e a ciência: reflexões de um educador a partir de uma experiência de imersão ao INPE e ao CEMADEN

O texto descreve a experiência formativa de um grupo de educadores provenientes dos diferentes estados da Amazônia Legal, que buscou refletir, desde conhecimentos técnicos e científicos sobre a região, a necessidade de cuidar da natureza e das pessoas. A experiência foi promovida entre os dias 13 e 14 de agosto de 2026, pela Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais, em parceria com a Fundação SM.
Uma experiência que começa na Amazônia
Participar de uma experiência de imersão sobre educação, território e mudanças climáticas significou, para mim, muito mais do que viajar de Santarém, no Pará, para São José dos Campos, em São Paulo. Eu não estava simplesmente me deslocando para participar de uma programação formativa. Eu estava levando comigo a realidade da escola em que trabalho, os meus estudantes e o território amazônico do qual faço parte. Por meio da Rede de Educação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus (SMIC), tive a oportunidade de representar a Escola São José, localizada em Santarém, no coração da Amazônia, em uma experiência que reuniu 41 educadores da região.
A atividade foi promovida pela Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais (IRI Brasil), que tem entre seus objetivos contribuir para que lideranças e comunidades religiosas ampliem seus conhecimentos e sua atuação em questões relacionadas ao cuidado com a Criação, ao equilíbrio climático, à conservação das florestas e à proteção dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. O próprio guia que recebemos apresentava a visita ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) como uma oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre eventos meteorológicos extremos, sua relação com a floresta amazônica e as formas de reduzir seus impactos sobre as pessoas, as cidades e a economia.
O fato de sermos 41 educadores amazônicos conferiu à experiência um significado especial. Cada participante chegava trazendo consigo uma realidade escolar, uma comunidade e um território. Não éramos apenas um grupo reunido para conhecer duas importantes instituições públicas brasileiras. Éramos educadores que retornariam às suas escolas depois daquela experiência e que poderiam transformar o conhecimento adquirido em novas discussões, práticas e possibilidades de aprendizagem.
Essa dimensão coletiva me fez compreender a experiência também como um processo de formação de lideranças. Em uma região marcada por enormes desafios ambientais e sociais, formar educadores significa ampliar a capacidade de diálogo e de mobilização dentro das próprias comunidades. O conhecimento adquirido por um professor não permanece necessariamente restrito à sua experiência individual. Ele pode chegar aos estudantes, aos colegas de trabalho, às famílias e a outros espaços de convivência. Por isso, considero especialmente importante que uma iniciativa como essa tenha reunido educadores que vivem e trabalham na Amazônia.
A formação de lideranças para discutir as mudanças climáticas precisa considerar aqueles que conhecem o território não apenas por meio de estudos, mapas e imagens, mas também pela experiência cotidiana. A Amazônia precisa ser compreendida por quem vive nela e, sobretudo, precisa ter seus próprios educadores preparados para participar de maneira qualificada dos debates sobre o seu presente e o seu futuro.
No CEMADEN, uma nova maneira de olhar para o território
O primeiro dia de atividades foi realizado no CEMADEN. A programação incluiu discussões sobre recursos hídricos e desastres, percepção de riscos, prevenção de desastres e o Programa Cemaden Educação. No período da tarde, conhecemos os sistemas de alerta e a Sala de Situação e participamos de uma oficina de ERRD. O dia foi encerrado com a sessão do filme Amazônia Viva e a palestra “Atuação no Território”.
A sequência das atividades me levou a pensar sobre uma questão que considero fundamental para a educação na Amazônia: a necessidade de ensinar os estudantes a compreenderem o território em que vivem. Ao ouvir e acompanhar as discussões relacionadas aos recursos hídricos, aos desastres, à percepção dos riscos e à prevenção, passei a pensar ainda mais sobre a relação entre conhecimento e realidade.
Como professor, estou acostumado a trabalhar com conteúdos, textos, conceitos e diferentes formas de aprendizagem. A experiência no CEMADEN ampliou essa perspectiva ao me mostrar, de maneira concreta, como o conhecimento sobre o território pode estar relacionado à proteção das pessoas e à prevenção de situações que afetam diretamente as comunidades.
Essa reflexão é particularmente importante para quem trabalha na Amazônia. Nossa relação com a água, com os rios, com as chuvas, com os períodos de seca e com as transformações ambientais faz parte da vida cotidiana. Por isso, falar sobre mudanças climáticas na escola não deveria significar apenas apresentar aos estudantes informações sobre um problema global. É necessário relacionar essas discussões ao espaço em que eles vivem e às situações que fazem parte de sua própria experiência.
Foi nesse ponto que a experiência começou a modificar meu olhar sobre a prática educativa. Passei a pensar que a educação climática pode começar pelo exercício de observar o próprio território. O estudante pode aprender a identificar mudanças, reconhecer problemas, compreender riscos e perceber como determinadas transformações ambientais afetam sua comunidade. Para mim, essa perspectiva aproxima o conhecimento escolar da vida concreta e torna a aprendizagem mais significativa.
A atividade sobre percepção de riscos e prevenção de desastres, especialmente relacionada ao Programa Cemaden Educação, também me fez pensar sobre a importância de preparar os estudantes para compreenderem não apenas os fenômenos naturais, mas suas consequências sociais. O conhecimento sobre o ambiente precisa estar associado à capacidade de agir diante dos problemas que atingem as comunidades.
Essa compreensão se tornou ainda mais forte durante a visita à Sala de Situação e o contato com os sistemas de alerta. Naquele momento, percebi com maior clareza que informação, conhecimento e prevenção estão profundamente relacionados. Para a educação, isso representa uma possibilidade importante: formar estudantes capazes de compreender informações, avaliar situações e participar de maneira responsável das decisões que dizem respeito ao lugar onde vivem.
O território amazônico como espaço de educação
A palestra sobre “Atuação no Território”, realizada ao final do primeiro dia, reforçou uma reflexão que acompanhou toda a experiência. Quando pensamos em mudanças climáticas, não podemos olhar apenas para os fenômenos. Precisamos olhar também para as pessoas que vivem nos territórios atingidos por eles.
Essa percepção é muito importante para mim porque trabalho em uma escola localizada em Santarém. A Amazônia não é, para mim, um tema distante que aparece nos livros ou nas notícias. É o lugar em que vivo, trabalho e desenvolvo minha prática educativa. É também o território dos meus estudantes.
Por isso, considero que a educação na Amazônia precisa partir dessa realidade. Nossos estudantes precisam compreender a região em que vivem, mas também precisam perceber que possuem um papel na construção dos seus futuros. Não podemos tratar a Amazônia apenas como um objeto de observação ou como um espaço sobre o qual outras pessoas produzem discursos. Precisamos criar condições para que aqueles que vivem nela possam compreender suas transformações, participar das discussões e construir suas próprias formas de intervenção.
Nesse sentido, a escola possui uma responsabilidade que vai além da transmissão de conteúdos. Ela pode contribuir para que os estudantes desenvolvam uma relação mais consciente com o território e compreendam que os problemas ambientais também possuem dimensões sociais, culturais e humanas.
Foi essa compreensão que comecei a levar comigo para a Escola São José ainda durante a experiência. Eu passei a pensar menos em como reproduzir aquilo que estava aprendendo e mais em como transformar aquela aprendizagem em perguntas e discussões que fizessem sentido para os meus estudantes.
No INPE, compreender a ciência que observa a Amazônia
No dia 14 de agosto, a programação aconteceu no INPE. Participamos das palestras sobre o Programa BiomasBr, o Programa Queimadas e o Disaster Charter. No período da tarde, visitamos a Coordenação de Manufatura, Montagem, Integração e Testes (LIT) e o Centro de Controle e Rastreio de Satélites. A programação foi encerrada com a palestra sobre o Programa Adapta Brasil.
A experiência no INPE me permitiu perceber de outra maneira a dimensão tecnológica envolvida na observação do território. Muitas informações que chegam diariamente às escolas e à sociedade sobre a Amazônia são produzidas a partir de sistemas, tecnologias e conhecimentos que possibilitam observar fenômenos que não conseguimos acompanhar apenas com os nossos olhos.
As discussões sobre biomas e queimadas despertaram em mim uma atenção especial. Como educador amazônico, sei que esses temas possuem uma dimensão que ultrapassa os dados apresentados em uma palestra. Eles estão relacionados a diferentes formas de compreender a floresta, o território, as atividades humanas e as consequências das transformações ambientais.
Ao conhecer os espaços do INPE, também pensei no papel que a escola pode desempenhar na aproximação entre ciência e sociedade. Um mapa, uma imagem de satélite, uma informação sobre queimadas ou uma notícia sobre mudanças ambientais pode parecer apenas um dado para quem não conhece os processos que existem por trás daquela informação. A escola pode ajudar os estudantes a compreenderem esses processos e a desenvolverem uma leitura crítica dos conhecimentos que recebem.
Como professor de Língua Portuguesa, essa reflexão também dialoga diretamente com minha área de atuação. A maneira como a Amazônia é apresentada em uma notícia, em uma reportagem, em uma imagem ou em um discurso produz sentidos sobre a região. Ensinar os estudantes a ler criticamente essas diferentes linguagens significa também ajudá-los a compreender como a Amazônia é representada e como essas representações podem influenciar a maneira como a sociedade olha para ela.
Por isso, a experiência no INPE não ficou restrita ao conhecimento sobre tecnologias espaciais. Ela também me levou a pensar sobre o papel da linguagem, da informação e da educação na construção de uma consciência mais crítica sobre o território amazônico.
Educação, fé e cuidado com a Amazônia
Minha participação nessa experiência também ganhou um significado particular por eu atuar como professor de Ensino Religioso. A presença da IRI Brasil e sua proposta de aproximar lideranças e comunidades religiosas das questões relacionadas às florestas e às mudanças climáticas fizeram com que eu refletisse sobre a relação entre educação, valores e cuidado com a vida.
O guia da experiência apresenta a IRI Brasil como uma iniciativa voltada ao fortalecimento da atuação de lideranças e comunidades religiosas no cuidado com a Criação, na preservação do equilíbrio climático, na conservação e no uso sustentável das florestas e na proteção dos direitos dos povos indígenas e das demais comunidades tradicionais.
Como professor de Ensino Religioso, vejo nessa proposta uma possibilidade importante de diálogo. O Ensino Religioso, quando desenvolvido a partir do respeito à diversidade e da valorização do diálogo, pode contribuir para que os estudantes reflitam sobre valores relacionados à responsabilidade, à solidariedade, ao respeito e ao cuidado com a vida.
A questão ambiental também pode ser compreendida a partir dessa dimensão ética. Cuidar da Amazônia significa cuidar de um território e, principalmente, das pessoas que vivem nele. Significa reconhecer a importância dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, respeitar diferentes modos de vida e compreender que as decisões tomadas no presente possuem consequências para as próximas gerações.
Essa perspectiva não transforma a escola em espaço de doutrinação religiosa. Pelo contrário, amplia as possibilidades de diálogo sobre valores e responsabilidades que podem ser discutidos em uma educação comprometida com a formação integral dos estudantes.
A experiência me fez perceber que, como professor de Ensino Religioso, também posso contribuir para essa discussão ao criar espaços em que os estudantes reflitam sobre a relação entre ser humano, sociedade, natureza, responsabilidade e futuro. Em uma região como a Amazônia, essa reflexão possui uma importância ainda maior.
Educadores como multiplicadores de uma experiência
Ao final dos três dias, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi pensar no significado de termos participado daquela experiência como um grupo de 41 educadores amazônicos. A força daquela formação não estava apenas no conhecimento que cada participante adquiriu individualmente, mas na possibilidade de multiplicação desse conhecimento em diferentes escolas e comunidades.
Cada educador retornou para um território específico. Cada um possui estudantes, colegas, famílias e comunidades com os quais pode compartilhar aquilo que viveu. Por isso, considero que a iniciativa teve um potencial que ultrapassa a própria duração da viagem.
Formar educadores é também formar multiplicadores. Quando um professor amplia sua compreensão sobre determinado problema, ele pode levar essa discussão para a sala de aula e criar novas possibilidades para que seus estudantes também se apropriem dela. Quando vários educadores de uma mesma região passam por uma experiência de formação, cria-se uma rede de pessoas capazes de dialogar sobre questões que afetam diretamente seus territórios.
No caso da Amazônia, essa dimensão é especialmente importante. A região ocupa um lugar central nas discussões sobre mudanças climáticas, mas não pode ser vista apenas como objeto dessas discussões. É necessário fortalecer pessoas que vivem na própria Amazônia para que possam participar de maneira ativa e qualificada da construção dos debates sobre a região.
Foi isso que percebi naquela experiência. Éramos 41 educadores, mas cada um de nós poderia representar muitas outras pessoas quando retornasse para sua realidade.
Por isso, considero que a formação de lideranças amazônicas precisa incluir professores e outros profissionais da educação. A escola é um espaço privilegiado de formação de consciência, de construção de conhecimento e de diálogo com as comunidades. Investir nos educadores significa, portanto, investir na capacidade de uma região compreender seus próprios desafios e participar da construção de soluções.
O que essa experiência mudou em mim?
Quando penso sobre o que vivi no CEMADEN e no INPE, percebo que a principal transformação não está apenas nas informações que adquiri. O que mudou foi a maneira como passei a olhar para minha própria prática.
Voltei para Santarém pensando mais sobre o território, sobre a Amazônia e sobre o papel da escola diante das mudanças climáticas. Passei a perceber com mais clareza que nossos estudantes precisam ser convidados a olhar para a realidade em que vivem e a compreender que as questões ambientais não estão separadas de suas vidas.
Também voltei pensando sobre o meu próprio lugar como professor. Eu atuo em duas áreas que podem contribuir de maneiras diferentes para essa discussão: a Língua Portuguesa e o Ensino Religioso. Na primeira, posso trabalhar com diferentes discursos, textos e linguagens que apresentam e discutem as questões ambientais. Na segunda, posso criar espaços de reflexão sobre valores, responsabilidade, cuidado e respeito à vida e à diversidade.
Essas duas dimensões não precisam caminhar separadas. Ambas podem contribuir para uma educação que ajude os estudantes a compreenderem melhor a Amazônia e a refletirem sobre os desafios que ela enfrenta.
A experiência também me fez compreender que educar sobre mudanças climáticas não significa apenas ensinar conceitos científicos. Significa formar pessoas capazes de interpretar informações, compreender o território, reconhecer problemas, respeitar diferentes formas de vida e pensar criticamente sobre as escolhas que fazemos no presente.
Para um educador amazônico, essa responsabilidade é ainda maior. Nós trabalhamos com estudantes que vivem em uma região que ocupa um lugar fundamental nas discussões sobre o futuro ambiental do planeta. Precisamos, portanto, ajudá-los a compreender a importância do território sem reduzir a Amazônia a uma imagem idealizada ou a um conjunto de problemas.
A Amazônia é complexa. É diversa. É viva. É habitada. E precisa ser compreendida a partir das pessoas que vivem nela.
Voltar para a escola
A experiência terminou formalmente no dia 14 de agosto, depois da palestra sobre o Programa Adapta Brasil e do encerramento da programação no INPE. Para mim, entretanto, ela não terminou naquele momento. O verdadeiro sentido da experiência começa quando aquilo que aprendemos encontra o lugar para onde retornamos.
Eu voltei para Santarém e para a Escola São José com a certeza de que a formação de um educador não se encerra quando termina uma palestra ou uma visita. Ela continua quando o conhecimento adquirido passa a fazer parte da prática e quando aquilo que aprendemos nos leva a olhar de outra maneira para os estudantes e para o território.
Voltei também com uma responsabilidade que compartilho com os outros 40 educadores que participaram da experiência. Cada um de nós recebeu a oportunidade de conhecer instituições e discutir temas que possuem relação direta com os desafios enfrentados pela Amazônia. Agora, essa experiência pode ganhar novos sentidos nas escolas e nas comunidades em que atuamos.
Para mim, esse é o maior valor de uma iniciativa como essa. Não fomos a São José dos Campos apenas para conhecer o CEMADEN e o INPE. Fomos para ampliar nosso olhar e retornar às nossas realidades com mais conhecimento e mais responsabilidade.
Como professor da Escola São José, em Santarém, sei que essa experiência precisa chegar aos meus estudantes. Precisa aparecer nas aulas, nas conversas, nos projetos e nas perguntas que fazemos sobre o lugar onde vivemos. Como professor de Língua Portuguesa, preciso ajudá-los a ler criticamente os discursos que circulam sobre a Amazônia. Como professor de Ensino Religioso, preciso também criar espaços para que reflitam sobre responsabilidade, cuidado, respeito à vida e convivência com a diversidade.
Depois dessa experiência, compreendo ainda mais que educar na Amazônia significa assumir uma responsabilidade diante do próprio território. Não podemos ensinar sobre a região apenas repetindo informações produzidas por outros. Precisamos ajudar nossos estudantes a conhecer a realidade em que vivem, compreender suas transformações e reconhecer que também são sujeitos capazes de participar da construção do futuro.
Foi isso que trouxe comigo de São José dos Campos: não apenas novas informações, mas um olhar mais atento para o lugar de onde vim e para o lugar para onde voltei.
Saí da Amazônia para conhecer espaços que produzem conhecimentos sobre o território e sobre as mudanças que o atravessam. Retornei entendendo que esses conhecimentos precisam encontrar a escola, porque é nela que podemos ajudar uma nova geração de amazônidas a compreender, valorizar e cuidar do lugar que também é parte de sua própria história. E é justamente por isso que considero essa experiência tão importante: porque ela não me afastou da Amazônia. Ao contrário, fez com que eu voltasse para ela com uma compreensão mais profunda do meu papel como educador.
Aguinaldo Henrique da Silva Nunes é licenciado em Letras – Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). É especialista em Ensino Religioso pelo Instituto de Educação e Cultura de Capanema (IECC). Leciona Ensino Religioso para turmas de 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental, na Escola São José, da Rede de Educação SMIC. Atua, ainda, como animador e formador de lideranças de Comunidades Eclesiais de Base na Paróquia São José, que compõe a Arquidiocese de Santarém.


